O que você vai aprender:
O que é a Tabela Price?
A Tabela Price, também conhecida como Sistema Francês de Amortização, é o método de cobrança de empréstimos mais comum do mundo para o consumidor final. Ela é amplamente utilizada no Brasil em financiamentos de veículos, créditos pessoais, empréstimos consignados e crediários em lojas.
O seu grande diferencial é a previsibilidade: do primeiro ao último boleto, o valor da parcela será exatamente o mesmo. Isso facilita o planejamento financeiro das famílias, pois você sabe exatamente quanto do seu orçamento estará comprometido todo mês.
Como a matemática funciona na prática
Embora o boleto chegue sempre com o mesmo valor, a estrutura interna dessa parcela muda a cada mês. Toda prestação de empréstimo é composta por duas partes:
- Juros: O "aluguel" do dinheiro que você paga ao banco.
- Amortização: O valor que realmente abate a sua dívida original.
Na Tabela Price, as primeiras parcelas são compostas quase inteiramente por juros. Conforme você vai pagando e o seu saldo devedor diminui, a parte da parcela que corresponde aos juros também cai, enquanto a parte destinada à amortização cresce (você pode ver isso claramente na nossa tabela de resultados acima).
Quer ver a matemática dos juros agindo a seu favor em vez de contra o seu bolso? Entenda como os juros compostos funcionam por trás dos cálculos.
Quando é vantajoso escolher a Tabela Price?
Ao simular financiamentos de longo prazo (como imóveis), os bancos geralmente oferecem a escolha entre Tabela Price ou SAC. A Tabela Price costuma ser a melhor escolha nos seguintes cenários:
1. Necessidade de aprovação de crédito
Como a primeira parcela na Tabela Price é menor do que na Tabela SAC, ela compromete menos a sua renda mensal aos olhos do banco, facilitando a aprovação do financiamento.
2. Previsibilidade rigorosa
Se você tem uma renda fixa e não quer surpresas com parcelas reajustadas de forma agressiva (exceto pela correção de índices atrelados ao contrato, como a TR), a Price oferece conforto psicológico.
3. Curto a médio prazo
Para veículos (até 60 meses) ou bens de consumo, a diferença do total pago em juros entre Price e SAC não é tão gritante quanto em financiamentos de 30 anos.
Ainda em dúvida se compensa financiar? Nossa Calculadora: Alugar ou Financiar? compara os dois cenários com dados reais e te ajuda a tomar a melhor decisão.
O impacto da Correção Monetária (TR/IPCA)
Nos financiamentos reais no Brasil (especialmente de imóveis pela Caixa), você raramente paga apenas a taxa de juros fixa. O contrato embute um Indexador de Inflação (como a TR ou IPCA), que atua como uma correção monetária.
Como isso destrói a ilusão da "Parcela Fixa"?
Mês a mês, antes de calcular os juros e a amortização, o banco aplica a inflação sobre o Saldo Devedor total. Como o saldo devedor cresce antes de ser pago, todo o saldo precisa ser recalculado no sistema Price, forçando as prestações a subirem para garantir a quitação no prazo.
Como resultado, as parcelas da Tabela Price (que, em teoria, deveriam ser perfeitamente fixas do início ao fim) acabam crescendo de forma contínua mês a mês. Use o nosso campo de "Correção Estimada (%)" com a média do seu indexador e faça um teste para ver o impacto financeiro real no seu bolso!
Financiamento Pré-fixado
A taxa de juros é fixa (ex: 11% ao ano) e não há correção monetária posterior.
- ✓Parcelas 100% fixas: O valor simulado é exatamente o que você pagará até o final.
- ✓Sem risco de inflação: Ideal para cenários econômicos instáveis ou de alta de preços.
- ✕Custo inicial maior: Como o banco assume todo o risco da inflação, a taxa inicial é significativamente mais alta.
Financiamento Híbrido
Combina uma taxa fixa menor (ex: 4,5% ao ano) corrigida por um indexador (como TR ou IPCA).
- ✓Parcelas iniciais menores: Facilita a aprovação de crédito e compromete menos a sua renda no início.
- ✕Efeito cascata na Price: Se a inflação subir, as parcelas aumentam e a dívida total incha rapidamente.
- ✕Instabilidade no orçamento: Difícil prever o custo total e o plano financeiro nos contratos longos.
Dicas para economizar no seu empréstimo
O maior "inimigo" do seu dinheiro na Tabela Price são os juros cobrados no início do contrato. A melhor estratégia para economizar milhares de reais é a amortização extraordinária.
Sempre que sobrar um dinheiro (13º salário, férias, bônus), use-o para amortizar parcelas de "trás para frente". Ao fazer isso, o banco é obrigado por lei a remover 100% dos juros daquelas parcelas futuras. Você pagará apenas o valor líquido que pegou emprestado referente àqueles meses, o que destrói a incidência dos juros compostos contra o seu bolso.
💰 Sabia que o FGTS pode ser usado para amortizar financiamentos imobiliários? Descubra quanto você tem disponível na nossa Calculadora de FGTS.
Outra oportunidade de ouro: se você receber verbas rescisórias ao mudar de emprego, pode usá-las para amortizar e reduzir drasticamente o tempo da sua dívida. Estime o valor com a nossa Calculadora de Rescisão.
Plano de Ação
- 1Verifique sua renda líquida antes de assumir a dívida:
A parcela não deve comprometer mais de 30% da sua renda líquida. Use nossa Calculadora de Salário Líquido para descobrir exatamente quanto sobra no seu bolso após impostos e descontos.
- 2Simule o valor exato:
Exija do banco o "Valor Financiado" (com todas as taxas) e a taxa de juros. Jogue na calculadora e veja se a parcela bate com a proposta.
- 3Guarde o número Assustador:
Olhe o "Total Pago em Juros". Use esse número como motivação para priorizar a amortização com cada dinheiro extra que entrar (13º, férias, FGTS).
- 4Compare com a Tabela SAC:
Se você tiver fôlego para pagar parcelas um pouco maiores no início, pediu ao banco a simulação no modelo da Tabela SAC. Geralmente, ela é muito mais barata no final das contas.